A primeira vez...

Que belo título que eu arranjei, hein?! Que já estavam vocês aí a pensar, seus maliciosos?! :)

Hoje escolhi falar-vos da primeira vez que fui mãe, ou melhor, quando conheci realmente a sensação de ter o coração a bater fora do peito... amar incondicionalmente alguém. Hoje escrevo um pouco para todas as mulheres que já passaram por um pós-parto. É todo um processo, na minha opinião, muito complicado. É um caminho que envolve muita aceitação já que comporta muitas mudanças, a nível físico e psicológico. Hoje, vendo as coisas de forma mais clara e experiente, posso afirmar que o  nascimento do Duarte não foi mais do que o meu (re) nascimento. No dia em que tive o meu primeiro filho, nasci de novo. Toda uma nova mulher surgiu ali, no preciso momento em que aquele bebé chorou pela primeira vez. Isto tem todo um ar romântico, quase que se pode ouvir uma bonita música em pano de fundo. Mas... e o resto? E o que se segue? Aquele turbilhão de sentimentos que não se consegue controlar. Como se o mundo nos caísse nas costas. Uma vontade imensa de gritar ao mundo esta felicidade intensa e, ao mesmo tempo, de chorar sem parar porque afinal... caramba, temos cada pedacinho de nós dorido como se nos tivessem partido todos os ossos do corpo. Queremos sentir para sempre aquele cheirinho maravilhoso do nosso bebé e, ao mesmo tempo, sentimos o maior medo do mundo: o medo de não sermos boas mães, de não conseguirmos amamentar o nosso bebé, medo que ele não esteja de boa saúde, que não respire... e os outros medos... aqueles que toda a mulher tem, um pouco tolos mas que fazem parte da nossa feminilidade, que afectam a nossa feminilidade: será que voltaremos à nossa forma, será que o nosso companheiro nos vai ver da mesma forma quando estivermos cansadas, descabeladas, desorientadas?!

Bom, isto é o cenário normal. Até parece caricato dizer isto mas é verdade, é normal. Tudo isto se passa com uma mulher que acaba de ter um filho, faz parte. Na maioria dos casos, é ultrapassável. Claro que, a partir do momento em que nos tornamos pais, a tranquilidade é muito menor (quase nula, diria eu), mas depois de ultrapassada a fase inicial, temos outro estofo para as fases seguintes, penso eu. Agora, quando este cenário se passa fora do nosso país, longe da nossa família, ou seja, fora da nossa zona de conforto... meus amigos, é muito complicado. Tenho um bebé nos braços... ele não pára de chorar... eu estou exausta e dorida... e não tenho ninguém aqui comigo... o que faço? Chamo a enfermeira? Ligo à minha mãe? Ai, estou sozinha... ESTOU SOZINHA!! Por esta altura já as lágrimas me corriam pelo rosto sem que eu conseguisse travá-las. Foi como se me tivesse dado um ataque de pânico quando caí em mim. Lembro-me que a sensação mais estranha que tive nos primeiros dias foi que... queria sair do hospital e não queria. Queria a minha cama, a minha casa, mas não queria. Porque não queria ver-me sozinha com o meu bebé. E se lhe acontecesse alguma coisa, e se eu não fosse capaz de cuidar dele? Não tinha a quem recorrer se alguma coisa corresse mal, não podia chamar a minha mãe ou a minha sogra. Estavam a mais de mil quilómetros de distância!! Era eu... éramos nós! Foi um caminho difícil, desgastante demais. Três dias depois do nascimento do Duarte, o meu marido foi trabalhar. Foi ainda mais difícil. Voltei para casa com um bebé nos braços... completamente só. Estava de tal forma em pânico que não deixava o bebé sozinho nem um segundo. Às vezes o meu marido chegava a casa e eu tinha passado o dia sem comer e sem ir à casa-de-banho. Agora estou a escrever isto e a rir de mim própria... mas na altura parecia-me ridículo sair da beira de um ser tão pequenino a precisar tanto de mim, dos meus cuidados
e da minha vigilância. Acho que, no fundo, nem vivi direito os primeiros dias do meu filho. O meu parto foi avassalador e os dias que se seguiram foram ainda mais difíceis. Eu não soube lidar com o facto de estar sozinha e longe da minha família, num momento em que a retaguarda familiar é tão importante. Alguém que nos traga uma refeição quente, que fique dez minutos com o bebé para podermos tomar banho, trocar de roupa, dormir... sei lá! Eu cresci com os meus avós. Para mim, o que é normal é os avós fazerem parte do crescimento dos netos, ajudarem os filhos neste momento tão gigante na vida deles. Custou-me muito não ter nada disso. E como eu... sei que existem muitas mulheres a passar pelo mesmo. Hoje, a vocês que estão a passar pelo mesmo, quero deixar-vos aqui a certeza de que é possível passarmos por isto sem apoio. É triste, é desgastante... é! Custa muito, dói muito e choramos muito. Mas hoje, mãe de dois filhos, e já tendo passado por tudo isso... consigo garantir-vos que temos uma força imensa... vamos buscá-la aos nossos filhos. Nós mulheres, somos do caraças!! Hoje, estou mesmo certa disso! A sociedade moderna leva a que muitas de nós tenhamos que viver esta realidade... mas nós somos capazes! Não se deixem ir abaixo. Olhem para os vossos bebés e pensam que eles vão crescer e vocês vão ter saudades de quando eles cabiam perfeitinhos no vosso colo. Aproveitem... coragem!! Vai passar, é tudo o que vos posso dizer. Esqueçam a casa, arrumem quando puderem! Durmam quando o bebé dorme e se tiverem que jantar pizzas congeladas duas vezes por semana, que seja. Levem as coisas com tranquilidade, vivam para o vosso bebé, para vocês próprias e para a vossa família. E quando surgirem dúvidas, relaxem, parem, pensem no que precisam vocês e o vosso bebé naquele momento. Nós sabemos sempre o que é melhor para nós e para o nosso bebé. Ao início eu achava isto uma treta. Mas agora percebo que faz sentido e que é mesmo assim. Nunca duvidem nunca de vocês. A pediatra do meu filho uma vez disse-me: "Mãe, você é a médica número um do seu filho. Você sabe melhor do que ninguém quando ele não está bem e precisa de outros cuidados que você não lhe consegue dar". E é tão verdade. O nosso coração sabe. E à falta de outro apoio... oiçam o vosso coração! Sempre.

Sejamos sinceros...

O primeiro post é sempre um post de apresentação, penso eu. Então cá vai:

Olá a todas... e a todos também, porque este é um blog dedicado a mães e pais. Os pais também cuidam dos filhos e quantos estão sozinhos nesta missão. Ser mãe e pai é a melhor coisa do mundo, não há dúvida. Mas há momentos em que nos sentimos cansados, precisamos de nos sentir nós próprios, precisamos de voltar a ser nós e olhar por nós. E nem sempre temos o apoio familiar que gostaríamos, nem sempre temos junto de nós a avó que não se importa de ficar um pouco com as crianças para podermos cuidar de nós, a nível individual e enquanto casal. É exactamente por isso que este blog surge. Mas vou começar do início que já estou a divagar sem antes me apresentar.

Chamo-me Daniela, tenho 32 anos, sou licenciada em Ciências da Comunicação e estou emigrada na Suiça há 6 anos. Sou mãe do Duarte, de 4 anos, e da Elisa, de 1 ano e meio. Os meus filhos nasceram cá na Suiça. Eu saí de Portugal por insatisfação a nível profissional e vim parar à Suiça francesa, onde também não encontrei (ainda) o que me poderia realizar profissionalmente, mas foi aqui que acabei por estabilizar um pouco mais a nível financeiro e pessoal.

Em 2015, quando o Duarte nasceu, aquele cliché que tanto se ouve de: "tudo mudou na minha vida", tornou-se mesmo verdade. Digam o que quiserem, até que sou fraquinha, mas não é fácil adaptarmo-nos a uma nova vida, com um ser pequenino que nos ocupa 200% do nosso tempo e atenção, termos que nos adaptar a uma nova realidade, tendo que lidar ao mesmo tempo, com as mudanças no nosso corpo... é todo um misto de pressões físicas e psicológicas tão avassaladoras pelas quais nenhuma mulher deveria passar sozinha - e sei que muitas mulheres nem o apoio de um marido/pai têm.

Neste início conturbado o apoio familiar é, na maior parte das vezes, muito importante. Pai e mãe, esgotados das noites mal dormidas, de todo um processo de amamentação, de todo um caminho para a criação de novas rotinas e novos hábitos, tudo o que precisam é de umas horas de sono, de uma avó, de uma tia, da madrinha... de alguém que tome as rédeas da casa e do bebé só por umas horas. E quando não se tem isso, faz-se o quê? Aguenta-se. Já numa situação dita, normal, às vezes não há tempo para um banho ou uma refeição quente. Quando não temos quem nos ajude, fazemos o quê? Aguentamos tudo sozinhos. E quando digo sozinhos, falo do casal. Por aqui foi (quase) tudo entre os dois, sendo que o meu marido, a maior parte dos dias, saía de casa para trabalhar às 6h30 da manhã e só voltava às 20h (aqui na Suiça, na altura em que o Duarte nasceu, o pai só tinha direito ao dia do nascimento, agora já são 15 dias na maior parte das empresas - mas isso é assunto para um outro post).

Posto isto, e porque este primeiro post não era para ser muito longo, posso dizer-vos que a Elisa nasceu em 2018 e tudo mudou de novo na nossa vida. Somos duplamente mais felizes... mas a organização e o cansaço também são em dose dupla. Sempre sozinhos. Se precisamos de trabalhar mais horas ou fazer algo que não envolva filhos, temos que pagar alguém para ficar com eles. E este blog é para todos os pais e mães mas, acima de tudo, para aqueles que não têm família à sua volta, que estão esgotados mas não têm escolha nem por um dia. Um espaço de desabafos, dicas e partilha de astúcias. Sejamos as famílias uns dos outros. Eu quero ser a vossa... porque este é, sem dúvida, um "trabalho" onde precisamos de toda a ajuda possível e de falar abertamente das coisas, do que nos perturba e nos cansa nesta vida de pais e mães, porque sim... há quadros que se pintam sobre a paternidade muito surrealistas - é bonito, é o melhor do mundo... é! Mas é também é duro, é muito desgastante e acaba com a nossa tranquilidade. Neste espaço, vou escrever sobre o que é bom... e o que é menos bom. Vamos falar de amamentação, de sonos e cólicas, de trabalhar e ser mãe e pai ao mesmo tempo, mas sempre nesta perspectiva de quem não teve a quem recorrer nos momentos de cansaço extremo. Consegue-se, tudo se consegue. Mas saímos muito desgastados pelo caminho.
Foto - Cláudia Teixeira ESTUDIOARTEPHOTO 
Aqui não há lugar para a hipocrisia porque, sejamos honestos, há muito tempo que já percebi que o mundo não é cor-de-rosa, que nem tudo corre como queremos e a vida... essa rola sem nos pedir satisfações, e temos o direito de nos sentir menos bem com isso... mesmo na paternidade.

Vamos falando... obrigada por me lerem. E vão ficando por aí... precisamos uns dos outros para levar isto para a frente com sucesso, esta coisa de ser mãe e pai! :)


Caramba para isto!!

Pelo título se calhar pareço-vos zangada! E estou... zangada com os vírus, com as bactérias, com as noites mal dormidas, com o facto de, no ...