Hoje resolvi falar-vos de hormonas... ou melhor... todo o descontrolo que as hormonas podem causar numa mulher e, consequentemente, pôr toda uma casa a arder!!
Antes de mais (e esta é, se calhar, uma informação que vocês dispensavam), estou a escrever este post na casa de banho. Sim... num único momento em que consegui vir à casa de banho quando cheguei do trabalho. Aqui na Suiça existe um dia por semana em que o comércio tem a chamada 'nocturna', que é quando as lojas ficam abertas até um bocadinho mais tarde, para que o pessoal possa fazer as suas compras sossegado, já que ao sábado fecha mais cedo e ao domingo está fechado. Portanto, sendo que trabalho no comércio, ontem cheguei a casa já depois das 21h00. Os miúdos não me viram todo o dia, pelo que não me largaram. Só consegui escrever este post já depois de eles estarem a dormir e... na casa de banho. Bom, às vezes nem na casa de banho tenho sossego... e este é um problema geral das mães e dos pais. Ainda hoje uma seguidora da página de facebook do blog falava sobre isso... e é bem verdade. Nem na sanita estamos sossegados, bolas pah!! E sim, é muito bom ser pai e mãe, é muito gratificante e tal mas... c'um catano, um bocadinho de privacidade no WC dava muito jeito às vezes.
Passando à frente esta bela conversa... falemos de hormonas. Mexem muito com uma mulher... choramos, rimos, levamos tudo à frente... depende das circunstâncias! Durante a gravidez a coisa é um bocado mais intensificada. Um bocado é favor, diria eu. Qualquer coisa mexe connosco e, na maior parte das vezes, o marido é que leva por tabela. Um dia destes, ao pensar no blog e nesta coisa de ser uma mãe da sociedade moderna, com uma pressão constante em cima dos ombros, sem qualquer apoio, de não ter um dia em que vamos almoçar ou jantar fora em família (alargada) lembrei-me de um dia em que, estando eu grávida do Duarte, me apetecia imenso comer algo bem português sem ter que mexer uma palha (agora tenho uma Bimby mas na altura não tinha), o meu marido fez-me a vontade, vendeu um braço (aqui na Suiça os restaurantes portugueses são caros como tudo) e levou-me a um restaurante para comer um bacalhau com natas. Sentamo-nos numa mesa ao lado de um casal com uma bebé e a avó é que segurava a menina, enquanto os pais comiam. Comecei a olhar, discretamente, a apreciar aquele quadro familiar. Poderia dizer coisas muito bonitas sobre o que ali se estava a passar... uma avó que, ternamente, brincava com a neta, dava-lhe pão... bla bla bla. Só que não... sim, a avó era muito mimosa... mas eu desatei a chorar que nem doida. Assim de repente o meu marido começou a entrar em pânico porque não percebia por que razão eu chorava. E dizia-me: "Ai, não tarda ainda pensam que te trouxe comigo à força. Que trato mal uma mulher grávida! Pára de chorar amor! Que tens?".
As hormonas continuavam a falar mais alto dentro de mim: "Tu não vais ter nada disto. Vais comer SEMPRE com o teu bebé ao colo. Se conseguires comer... com sorte nem o garfo consegues pôr à boca que ele já está a chorar. Não há cá jantarzinhos de família em que toda a gente quer é o menino para si e tu consegues, finalmente, comer uma refeição quente". E primeiro que eu conseguisse parar de chorar e dizer isto que estava a sentir, para que o pobre do homem se acalmasse também? Foram uns bons 10 minutos de choradeira, que a baba até já me caía no bacalhau. Entretanto, depois de me acalmar, lá consegui dizer: "Olha para esta família aqui ao lado. Nós não vamos ter nada disto!". Pois que... correm as lágrimas ao homem agora! E do nada já estávamos os dois na choradeira. Tudo por causa das hormonas. Sim sim. Que agora não choro assim tão facilmente. E até me sinto um bocadinho tola. Mas é verdade que já estamos hormonais e sensíveis. Depois, paralelamente, sabendo que vamos estar sozinhos na tarefa, quase que se instala todo um pânico.
Pais que me seguem, pais emigrados, pais não emigrados mas que estão e se sentem sozinhos... tudo se faz. Com mais ou menos perfeição... até porque a perfeição, pelo menos na parentalidade, é uma ilusão. E conseguimos comer uma refeição quente, nem que seja (re) aquecida no microondas. Vai ficando mais fácil com o tempo. Quanto às hormonas, não há nada a fazer. São mais fortes que nós. Chorem para a frente que não faz mal nenhum. Às vezes é preciso. E vai continuar a ser preciso. Alivia. E dá força. Chorem sozinhos, chorem juntos. Ou riam, sei lá. Cada um lida com as coisas da melhor maneira que consegue. O importante é conseguirem lidar com tudo o que se está a passar dentro de vocês. Mãe e pai. Porque eles sofrem muito connosco às vezes. Um bem-haja aos pais que estão desse lado... e têm que lidar com hormonas. Agora compreendo que não é pêra doce! :) :)
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