E ultimamente eu tenho tido muitos dias "assim". Assim... recheados de cansaço, de desânimo... de achar que não estou a cuidar de mim como devia. Só penso em cuidar dos outros. E eu? Vivo para trabalhar e para tentar que as coisas corram pelo melhor com os miúdos. Há dias em que acho mesmo que não consigo dar conta do recado. E ultimamente... esses dias são muitos.
Tinha preparado mais uma das minhas tantas histórias para vos contar... mas tenho andado tão nisto... destes dias assim... que me apeteceu muito soltar este desabafo.
Quantas/quantos de vocês também têm destes... dias assim?! Em que olhamos bem para nós e não nos vemos minimamente como gostaríamos? O espelho tem sido o meu maior inimigo nos últimos tempos. Como se ele me mostrasse que o tempo passa, que o novo dá lugar ao "velho" e que eu não dei ao meu corpo o descanso e o cuidado que ele merecia e pedia. Assim de repente, tenho tantos cabelos brancos... como é que isto aconteceu?! Há 4 anos atrás, um cabelo branco era suficiente para ir a correr pintar o cabelo. Agora deixo rolar... até arranjar meia-horinha para o fazer... e em casa de preferência porque, além de caro que é pintar o cabelo na Suiça, não posso ir para lado nenhum tratar de mim e olhar pelos miúdos ao mesmo tempo. Marido a trabalhar... quem fica com eles? Teria que os levar comigo. Ou pagar para me ficarem com eles uma tarde ou uma manhã.
Isto já para não falar nas unhas. Ontem estava a trabalhar e olhava para as minhas unhas... e pensava: "Meu Deus! Ainda não tirei tempo para mudar o verniz gel. Estão péssimas, que vergonha!". Se calhar ninguém repara... mas eu reparo. Que adianta reparar?! Não tenho tempo para nada. O tempo que me resta divide-se entre levar à escola, fazer almoço, ir buscar à escola, tratar dos sacos para o dia seguinte, fazer o jantar... tratar da roupa! Bolas, e eu?! Eu existo não? Que me adianta pensar nisto se não posso mudar? Tenho mesmo que me conformar. Será? Tenho que pedir desculpa por querer tempo para mim, para tratar de mim?
Sim, eu sei. Se calhar estou a ser fútil com esta história do cabelo, das unhas... mas são coisas que me fazem sentir que cuido de mim. E coisas ainda mais sérias... ir ao médico e vir de lá com uma série de suplementos alimentares e recomendações de mais descanso. Sim, ok. Tenho duas crianças, uma delas ainda amamentada. Como posso eu ter o ferro a bons níveis, como posso eu descansar o suficiente?! Vocês têm soluções para isto? Não falo apenas de cuidar fisicamente... psicologicamente: sair, respirar, descomprimir, gritar... sei lá!
Li no outro dia um estudo que dizia que os pais só recuperam da falta de descanso por que passam com os filhos pequenos, cerca de quatro anos depois. Então estou feita ao bife, como se diz na minha terrra. Vou ser um zombie por mais uns oito anos!!
Sinto que não tenho espaço para mim na minha própria vida. Mais alguém?! Isto melhora?!
Sou uma mãe de dois filhos, emigrada na Suiça. O meu exemplo vem apenas mostrar a realidade de tantas outras mães, emigradas ou não, que criam os seus filhos sem ajuda de avós ou qualquer outra família. Aqui venho deixar os meus desabafos, os meus truques e as minhas dicas, esperando poder ajudar e ser ajudada.
Hormonas... para que vos queremos?
Hoje resolvi falar-vos de hormonas... ou melhor... todo o descontrolo que as hormonas podem causar numa mulher e, consequentemente, pôr toda uma casa a arder!!
Antes de mais (e esta é, se calhar, uma informação que vocês dispensavam), estou a escrever este post na casa de banho. Sim... num único momento em que consegui vir à casa de banho quando cheguei do trabalho. Aqui na Suiça existe um dia por semana em que o comércio tem a chamada 'nocturna', que é quando as lojas ficam abertas até um bocadinho mais tarde, para que o pessoal possa fazer as suas compras sossegado, já que ao sábado fecha mais cedo e ao domingo está fechado. Portanto, sendo que trabalho no comércio, ontem cheguei a casa já depois das 21h00. Os miúdos não me viram todo o dia, pelo que não me largaram. Só consegui escrever este post já depois de eles estarem a dormir e... na casa de banho. Bom, às vezes nem na casa de banho tenho sossego... e este é um problema geral das mães e dos pais. Ainda hoje uma seguidora da página de facebook do blog falava sobre isso... e é bem verdade. Nem na sanita estamos sossegados, bolas pah!! E sim, é muito bom ser pai e mãe, é muito gratificante e tal mas... c'um catano, um bocadinho de privacidade no WC dava muito jeito às vezes.
Passando à frente esta bela conversa... falemos de hormonas. Mexem muito com uma mulher... choramos, rimos, levamos tudo à frente... depende das circunstâncias! Durante a gravidez a coisa é um bocado mais intensificada. Um bocado é favor, diria eu. Qualquer coisa mexe connosco e, na maior parte das vezes, o marido é que leva por tabela. Um dia destes, ao pensar no blog e nesta coisa de ser uma mãe da sociedade moderna, com uma pressão constante em cima dos ombros, sem qualquer apoio, de não ter um dia em que vamos almoçar ou jantar fora em família (alargada) lembrei-me de um dia em que, estando eu grávida do Duarte, me apetecia imenso comer algo bem português sem ter que mexer uma palha (agora tenho uma Bimby mas na altura não tinha), o meu marido fez-me a vontade, vendeu um braço (aqui na Suiça os restaurantes portugueses são caros como tudo) e levou-me a um restaurante para comer um bacalhau com natas. Sentamo-nos numa mesa ao lado de um casal com uma bebé e a avó é que segurava a menina, enquanto os pais comiam. Comecei a olhar, discretamente, a apreciar aquele quadro familiar. Poderia dizer coisas muito bonitas sobre o que ali se estava a passar... uma avó que, ternamente, brincava com a neta, dava-lhe pão... bla bla bla. Só que não... sim, a avó era muito mimosa... mas eu desatei a chorar que nem doida. Assim de repente o meu marido começou a entrar em pânico porque não percebia por que razão eu chorava. E dizia-me: "Ai, não tarda ainda pensam que te trouxe comigo à força. Que trato mal uma mulher grávida! Pára de chorar amor! Que tens?".
As hormonas continuavam a falar mais alto dentro de mim: "Tu não vais ter nada disto. Vais comer SEMPRE com o teu bebé ao colo. Se conseguires comer... com sorte nem o garfo consegues pôr à boca que ele já está a chorar. Não há cá jantarzinhos de família em que toda a gente quer é o menino para si e tu consegues, finalmente, comer uma refeição quente". E primeiro que eu conseguisse parar de chorar e dizer isto que estava a sentir, para que o pobre do homem se acalmasse também? Foram uns bons 10 minutos de choradeira, que a baba até já me caía no bacalhau. Entretanto, depois de me acalmar, lá consegui dizer: "Olha para esta família aqui ao lado. Nós não vamos ter nada disto!". Pois que... correm as lágrimas ao homem agora! E do nada já estávamos os dois na choradeira. Tudo por causa das hormonas. Sim sim. Que agora não choro assim tão facilmente. E até me sinto um bocadinho tola. Mas é verdade que já estamos hormonais e sensíveis. Depois, paralelamente, sabendo que vamos estar sozinhos na tarefa, quase que se instala todo um pânico.
Pais que me seguem, pais emigrados, pais não emigrados mas que estão e se sentem sozinhos... tudo se faz. Com mais ou menos perfeição... até porque a perfeição, pelo menos na parentalidade, é uma ilusão. E conseguimos comer uma refeição quente, nem que seja (re) aquecida no microondas. Vai ficando mais fácil com o tempo. Quanto às hormonas, não há nada a fazer. São mais fortes que nós. Chorem para a frente que não faz mal nenhum. Às vezes é preciso. E vai continuar a ser preciso. Alivia. E dá força. Chorem sozinhos, chorem juntos. Ou riam, sei lá. Cada um lida com as coisas da melhor maneira que consegue. O importante é conseguirem lidar com tudo o que se está a passar dentro de vocês. Mãe e pai. Porque eles sofrem muito connosco às vezes. Um bem-haja aos pais que estão desse lado... e têm que lidar com hormonas. Agora compreendo que não é pêra doce! :) :)
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